O minicurso propõe uma análise crítica das principais correntes historiográficas sobre a Guerra Fria, articulando o debate clássico — centrado na ortodoxia, no revisionismo, no pós-revisionismo e no corporatismo — com as abordagens mais recentes comprometidas com a descentralização da narrativa histórica e com o reconhecimento da agência dos países periféricos. A historiografia clássica sobre a Guerra Fria, produzida predominantemente entre as décadas de 1940 e 1990, organizou-se em torno de interpretações contrastantes sobre as origens e a natureza do conflito bipolar, mas privilegiou, em grande medida, uma leitura estadunidense e eurocêntrica, centrada na rivalidade entre Estados Unidos e União Soviética, subestimando as especificidades regionais da América Latina, da África e da Ásia. A crise e a dissolução da União Soviética, a abertura de arquivos secretos, o processo de redemocratização de países fraturados por ditaduras e o crescente interesse na história global contribuíram para a construção de uma “nova historiografia”, comprometida com a descentralização da narrativa e com o resgate do papel dos países do chamado Terceiro Mundo. O seminário tem como objetivos: apresentar e comparar criticamente as correntes da historiografia clássica estadunidense (ortodoxia, revisionismo, pós-revisionismo e corporatismo), avaliando as contribuições e os limites de cada uma; analisar a proposta pós-revisionista de síntese historiográfica e suas insuficiências; introduzir a nova historiografia da Guerra Fria global, com ênfase na obra de Odd Arne Westad; examinar os debates mais recentes sobre a Guerra Fria na América Latina; e apresentar as principais contribuições da “nova história soviética”. Ministrante: Flávio Alves Combat (professor na UFRJ e pós-doutorando no PPGH/ UFSC), presencial nos dias 16 e 17 de setembro de 2026.
Participante
Inscrições de 04/08/2026 a 15/09/2026